Evento técnico mostrou o impacto do reajuste das distribuidoras, o peso da gestão na economia e as perspectivas de preço para os próximos anos, com destaque para o El Niño e as mudanças no setor elétrico.
Em 17 de setembro, o Grugeen e a Auren Energia reuniram em Brusque (SC) gestores e tomadores de decisão de diversas empresas da região para um encontro técnico. O foco foi dar informações concretas para as próximas decisões de contratação de energia.
O formato foi pensado para quem decide: dados de mercado, análise regulatória e bastante tempo para perguntas.
O reajuste da distribuidora pesa mais no cativo
Na abertura, Rafael Coelho, gerente de Novos Negócios e Geração de Energia do Grugeen, apresentou o efeito do reajuste tarifário da Celesc, em vigor desde 22 de agosto de 2026. No mercado cativo, o aumento foi de 11,4%. No mercado livre, o efeito ficou em 8,21%, cerca de 28% menor.
O reajuste também elevou o preço de empate em todas as bandeiras tarifárias. Preço de empate é o valor da energia no mercado livre a partir do qual a economia deixa de existir. Na prática, a margem de vantagem do mercado livre ficou maior.
Economia vem da gestão, não só da contratação
Rafael mostrou que a economia com energia não termina na migração para o mercado livre. Nos últimos três anos, a gestão do Grugeen gerou R$ 6,92 milhões em economia adicional para os clientes. Mais de 14 frentes foram analisadas, entre elas:
- ajustes de contratos de distribuição (demanda, modalidade tarifária, energia reativa);
- recuperação de valores;
- revisão de contratos de energia;
- correções de faturamento, tributação e créditos de impostos.
Também foram apresentadas alternativas para reduzir custos além da contratação, como a geração solar própria no modelo grid-zero e a gestão tributária, por exemplo o laudo de ICMS.
Cenário de preços: clima, El Niño e mudanças estruturais
Na parte central do evento, Eduardo Diniz, diretor de Comercialização da Auren Energia e vice-presidente do conselho da Abraceel, tratou da formação de preços no curto e no longo prazo. Os principais pontos foram:
- El Niño: o fenômeno está ativo desde junho, com chances crescentes de chegar a intensidade forte. Ele tende a trazer mais chuva ao Sul e temperaturas mais altas no Sudeste e no Centro-Oeste a partir de novembro, o que puxa o consumo para cima.
- Carga e geração: o consumo cresce há quatro meses seguidos. A geração distribuída já responde por até 35% da demanda ao meio-dia, e os cortes de geração renovável seguem altos.
- Curto prazo: os cenários para o 4º trimestre ficaram entre R$ 145 e R$ 290/MWh, conforme a hidrologia considerada.
- Longo prazo: o custo de expansão maior, o fim de subsídios e a necessidade crescente de capacidade firme indicam um novo patamar de preços para a energia convencional.
A sessão de perguntas se estendeu e girou em torno do tema que mais preocupa as empresas: o melhor momento e a melhor estratégia para as próximas contratações.
“Nosso objetivo foi colocar na mesa as informações que de fato mudam a decisão de contratação. O cenário tem mais volatilidade, e decidir bem exige dados, método e acompanhamento contínuo.”, Rafael Coelho, Grugeen.
Sua empresa tem contratos de energia vencendo nos próximos 24 meses? Fale com a nossa equipe e receba uma análise do cenário para a sua distribuidora e o seu perfil de consumo.




