Com chuvas ainda ausentes, recuo nas afluências aponta para desafios operacionais no horizonte.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS divulgou a terceira revisão do Programa Mensal de Operação – PMO para a semana operativa de 19 a 25 de julho. Os níveis dos reservatórios permanecem próximos aos da semana anterior. A região Sul interrompeu sua trajetória de recuperação, mas ainda apresenta situação confortável, com 92,6% de armazenamento e previsão de encerrar o mês em 85,2%.
Já o Sudeste/Centro-Oeste segue com uma leve tendência de esvaziamento, passando de 64,8% para 63,7%. O Nordeste também apresenta recuo, caindo de 66,7% para 64,9%. No Norte, os níveis se mantêm praticamente estáveis, variando de 95,5% para uma previsão de 95,3%.
Previsão de níveis de armazenamento para jul/2025 (%)

Fonte: ONS
A preocupação agora recai sobre as afluências, que seguem com previsões abaixo da média histórica na maior parte do país. Nesta semana, o Sudeste/Centro-Oeste deve operar com 72% da Média de Longo Termo – MLT, o Nordeste com 47% e o Norte com 58%.
Embora o Sul tenha previsão de apenas 51% da MLT para esta semana, há sinais de que fechará julho acima da média, com um acumulado mensal de 115% da MLT, resultado das semanas anteriores que apresentaram afluências elevadas.
Previsão Semanal de ENA de 19/07/25 a 25/07/25

Fonte: ONS
Previsão Mensal de ENA para jul/2025

Fonte: ONS
Segundo o relatório, as previsões não indicam precipitações significativas nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional – SIN, confirmando a manutenção do padrão seco que marca o inverno. Essa persistência da estiagem, aliada à tendência de queda nas ENAs, começa a exigir uma operação mais conservadora e pode pressionar o sistema nas próximas semanas, principalmente se agosto seguir com o mesmo comportamento hidrológico.
Previsão de precipitação de 19/07/2025 a 25/07/2025

Fonte: ONS
Embora os níveis de armazenamento ainda estejam confortáveis, o atual cenário não deve ser encarado como garantia de estabilidade. A continuidade das baixas afluências em regiões-chave, como o Sudeste e a bacia do São Francisco, reforça a importância de decisões operativas cautelosas para preservar os reservatórios e evitar riscos maiores adiante.