Com aumento pontual na ENA, subsistemas operam com equilíbrio, mas sem folga real para o inverno.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS publicou nesta semana o Programa Mensal de Operação – PMO referente ao período de 28/06 a 04/07. Entre os destaques, o subsistema Sul segue em trajetória de recuperação e encerrou junho com 67,3% de armazenamento. O cenário previsto para o fim de julho é otimista: 91,8%. No Sudeste/Centro-Oeste, o nível caiu levemente para 66,6% em relação ao mês anterior, com tendência de encerrar o mês em 65,1% — um comportamento ainda dentro da média para o período seco. O Nordeste recua de 69,4% para 65,3%, enquanto o Norte mantém operação confortável, partindo de 96,9% para uma projeção de 96,5%.
Previsão de níveis de armazenamento para jul/2025 (%)

Fonte: ONS
Na comparação com a semana anterior, todos os subsistemas apresentaram aumento na previsão de Energia Natural Afluente – ENA. O Sul lidera com folga, atingindo 290% da Média de Longo Termo – MLT. Sudeste/CO chega a 89%, Nordeste a 41% e Norte com 57%. Apesar dos avanços percentuais na previsão, esse aumento tem efeito prático limitado — servindo apenas para manutenção dos reservatórios.
Previsão Semanal de Energia Natural Afluente – ENA de 28/06/25 a 04/07/25

Fonte: ONS
Previsão Mensal de Energia Natural Afluente – ENA para jul/2025

Fonte: ONS
A previsão climática para esta semana indica continuidade das chuvas nas bacias do Sul, como Jacuí, Uruguai, Taquari-Antas e Iguaçu — o que sustenta a recuperação regional. No Sudeste, há estimativa de precipitações nas bacias do Paranaíba e do Grande. As chuvas na região Norte devem se concentrar no Madeira, em Rondônia, de forma pontual. O Nordeste, por sua vez, permanece sob influência de tempo seco e baixa expectativa de chuvas relevantes.
Previsão de precipitação de 28/06/2025 a 04/07/2025

Fonte: ONS
Apesar do aumento na previsão da ENA, o quadro geral não muda: apenas o Sul apresenta avanço concreto nos níveis dos reservatórios. Nos demais subsistemas, a melhoria nas afluências representa um alívio momentâneo, mas não suficiente para construir reservas. Com a intensificação do inverno hidrológico, a aparente estabilidade do Sudeste, Nordeste e Norte pode se transformar em alerta caso as próximas semanas tragam redução no volume de chuvas. A atenção continua voltada para o comportamento das bacias responsáveis por abastecer os principais centros de carga do país.