As tarifas podem sofrer reajuste médio de até 5,76% nas regiões Sul, Sudeste/Centro-Oeste, e de quase 4% no Norte e Nordeste.
Na última terça-feira (15/07), foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE referente ao ano de 2025. O valor aprovado foi de R$ 49,2 bilhões representando um aumento significativo, sendo de mais de 32% em relação ao orçamento de 2024 (R$ 37,2 bilhões).
Esse aumento já deve impactar diretamente as tarifas de energia elétrica, com um efeito médio estimado de 5,76% para os consumidores cativos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e de 3,85% no Norte e Nordeste.
Embora os dados oficiais façam referência aos consumidores cativos, os consumidores do mercado livre também serão impactados, uma vez que encargos como a CDE-Uso são cobrados proporcionalmente de todos os consumidores, independentemente do ambiente de contratação. A estimativa é que o impacto percentual no Ambiente de Contratação Livre – ACL seja semelhante ao observado no mercado cativo, podendo variar conforme o perfil de consumo e as condições contratuais de cada consumidor.
Entre os principais fatores que contribuíram para o aumento no orçamento da CDE em 2025 estão: o aumento de R$ 3 bilhões nos recursos destinados ao custeio de incentivos para fontes renováveis, o incremento de cerca de R$ 2 bilhões para a compensação de micro e minigeradores distribuídos, a expansão da Tarifa Social em R$ 1,6 bilhão — reflexo da Medida Provisória nº 1.300/2025 —, o aumento de R$ 1,8 bilhão na Conta de Consumo de Combustíveis – CCC, além da destinação de R$ 1,4 bilhão ao Programa Luz Para Todos. E por fim, restos a pagar referente ao déficit de R$ 612 milhões, tendo como 70% do valor referente ao Programa Luz Para Todos.
Diante desse cenário, é evidente que o aumento no orçamento da CDE terá impacto direto sobre o custo da energia elétrica para consumidores de alta tensão, tanto no mercado regulado quanto no livre. Apesar da flexibilidade contratual do ACL, os encargos setoriais — como a própria CDE — constituem custos fixos que devem ser considerados no planejamento energético e orçamentário das empresas.
Assim, torna-se essencial que os consumidores livres acompanhem de forma contínua a evolução dos encargos e as mudanças regulatórias que afetam a formação de preço da energia, de modo a avaliar o impacto em seus contratos ao longo de 2025 e, se necessário, ajustar suas estratégias de contratação.